Pesquisa sobre Doação de Órgãos do ano de 2006

A pesquisa abaixo foi realizada pelos alunos do 4º ano de Administração de Empresas da Faculdade UNOPEC, na disciplina Pesquisa Operacional II na cidade de Indaiatuba - SP em 2006 entre os dias 05 e 11 de Setembro.

Foram entrevistadas, na ocasião, 1290 pessoas.

O resultado da pesquisa mostra não só as dúvidas e medos da população local, mas retrata a opinião de grande parte dos cidadãos brasileiros que tem na falta de informação o principal empecilho no momento de decidir sobre a doação de órgãos.

Agradecemos aos alunos da Faculdade UNOPEC que realizaram e participaram desta pesquisa em especial ao Prof. Virgilio Itaiuti Panzetti que coordenou os trabalhos.

Veja também a pesquisa mais recente feita em Maio/Junho 2010clique aqui

Pesquisa

A doação de órgãos é um tema muito polêmico. Muitos defendem seus pontos de vista, uns apoiando, outros condenando, mas o consenso é que a doação de órgãos possui o potencial de salvar muitas vidas. O medo das pessoas aliado com o preconceito e a falta de informação faz que as pessoas evitem até de comentar o assunto. Foi verificado que em Indaiatuba não existe doação de órgãos, e descobrir os motivos pelos quais isto acontece é o foco desta pesquisa.
Através da pesquisa, visamos verificar se a cidade de Indaiatuba apresenta resistência quanto à doação de órgãos, e quais os fatores que afetam seu julgamento.
- Identificar o nível social dos moradores de Indaiatuba;
- Identificar os motivos que levariam as pessoas a doarem órgãos;
- Identificar quais os fatores que inibem a doação de órgãos;
- Identificar qual o grau de informação das pessoas sobre a doação de órgãos;
Exploratória.
Método quantitativo.
Aleatória simples.
1290 pessoas.
Homens e mulheres a partir de 15 anos em Indaiatuba.
GABRIEL – Grupo de Atuação Brasileiro para Realização de Transplantes Infantis e Estudos do Tubo Neura.
A doação de órgãos em Indaiatuba.

“DOAÇÃO DE ÓRGÃOS EM INDAIATUBA”

Cliente: Professor Virgílio

Objeto da pesquisa: A doação de órgãos em Indaiatuba

Atendimento: Turma do 8o termo do curso de Administração de Empresas

Período da pesquisa: Setembro de 2006

Foram entrevistadas 1290 pessoas de Indaiatuba para identificarmos a opinião dos cidadãos Indaiatubanos sobre a doação de órgãos.

Antes da identificação da opinião, levantamos o perfil dos entrevistados.

Do total de entrevistados, 684 são homens, o que corresponde a 53% do universo amostral, e 606 são mulheres, o que corresponde a 47% dos entrevistados, todos com idade a partir de 15 anos.



Identificamos que 33% dos entrevistados pertencem à classe C, 29% à classe B2, 16% à classe B1 e 4% à classe A2.

Vale a pena citar que 18% dos entrevistados moram no bairro Morada do Sol, enquanto 6% moram no bairro Cidade Nova e 6% no bairro Centro. Os demais estão espalhados pela cidade.

Quanto à opinião dos entrevistados a respeito de doações de órgãos, verificamos que 89% deles acreditam que a doação de órgãos pode ajudar a salvar vidas, enquanto apenas 7% acreditam que não. O restante não soube responder.

A respeito da opinião sobre o porquê da resistência quanto à doação de órgãos, 39% dos entrevistados dizem que seria o medo de negligência no atendimento (falta de ética nos hospitais), enquanto 34% afirmam que seria não possuir conhecimentos suficientes sobre o assunto. 16% acreditam que sejam crenças religiosas e pessoais. Egoísmo é o motivo que 8% dos entrevistados apontaram enquanto apenas 3% não souberam responder.

Foi perguntado aos entrevistados se eles acreditam que possa existir a venda de órgãos nos hospitais, e o resultado segue no gráfico abaixo:

Quanto à infra-estrutura dos hospitais de Indaiatuba, 43% dos entrevistados não confiariam nela para a doação ou recepção de órgãos, enquanto 29% confiariam e 26% não saberiam responder.

A respeito da inclusão da opção de doação de órgãos na carteira de identidade ou carteira de habilitação, 68% mostram-se a favor, 26% contra enquanto 5% não saberiam responder.

Foi verificado que 53% dos entrevistados não saberiam como proceder para serem doadores de órgãos, enquanto 39% afirmam saber como, e apenas 8% não souberam responder.

Quanto à aprovação da família dos entrevistados a respeito da doação de órgãos, foi verificado que as famílias de 58% dos entrevistados são a favor da doação de órgãos, contra 16% que são contra e 22% que não souberam responder.

61% dos entrevistados sabem que para constatar a morte cerebral, é necessária uma série de exames e uma vez constatada, não há a esperança de sobrevida. 93% das pessoas abordadas sabem que milhares de pessoas morrem todos os dias na fila de espera por um órgão, e 84% dos entrevistados sabem que órgãos como rim e fígado podem ser doados em vida, mas apenas 57% efetivamente doariam órgãos em vida.

Menos da metade dos entrevistados votaria a favor da obrigatoriedade da doação de órgãos após a morte:

Entre as circunstâncias nas quais os entrevistados doariam órgãos, 39% afirmaram que doariam para qualquer pessoa e 38% doariam para parentes. Apenas 5% afirmaram que não doariam órgãos.

Finalmente, foi perguntado aos entrevistados se eles achavam que Indaiatuba poderia ser um exemplo para outras cidades no que diz respeito à doação de órgãos. Apenas 10% acreditam totalmente na afirmação, e mais da metade não acredita ou não soube responder.

Os moradores da cidade de Indaiatuba ainda demonstram muito desconhecimento do assunto doação de órgãos. Ainda existe muito medo de falta de ética médica, e da falta de infra-estrutura nos hospitais. Porém, os dados obtidos indicam que existe a vontade de ajudar ao próximo. 58% dos entrevistados possuem famílias que são favoráveis à doação de órgãos, e 57% das pessoas abordadas doariam órgãos em caso de compatibilidade. Como 72% dos entrevistados estão nas classes sociais B2 e C, comprova-se a solidariedade da classe média baixa, mas a falta de informação impossibilita o crescimento do número de doadores, especialmente o de doadores em vida, mesmo 93% das pessoas abordadas sabendo que milhares de pessoas morrem na fila de espera por órgãos. Verificou-se também que as pessoas não sentem segurança em seu sistema hospitalar. 43% das pessoas abordadas não confiam na infra-estrutura para doação de órgãos nos hospitais indaiatubanos. Concluímos que é fundamental uma campanha de conscientização e de informação sobre a doação de órgãos, bem como um trabalho junto aos hospitais de Indaiatuba visando aumentar a confiança da população em sua estrutura. Esta soma de ações traria não apenas benefícios quanto ao número de doadores, mas também na reputação da cidade junto às demais da Região Metropolitana de Campinas, pois até agora só 10% dos entrevistados acredita em Indaiatuba como um exemplo.